Luanda
- A justiça britânica confirmou o “congelamento mundial de bens” de uma
das empresas de Isabel dos Santos, filha primogénita do antigo
Presidente angolano José Eduardo dos Santos, numa batalha jurídica com a
PT Ventures por falta de pagamento de dividendos, noticiou a imprensa
angolana.
Fonte: Portugal Digital/Panapress
A
imprensa angolana cita uma decisão do juiz Gerard Farara, do Supremo
Tribunal das Caraíbas, sediado nas ilhas Virgens Britânicas, a confirmar
que Isabel dos Santos cometeu “atos fraudulentos e desonestos” na
gestão da Unitel, a maior operadora de telefonia móvel em Angola.
Gerard Farara escreve que grandes somas
da Unitel foram transferidas para empresas de propriedade e controladas
por Isabel dos Santos, “sem nenhum benefício discernível para a Unitel,
atuando Isabel, através da empresa Vidatel, “de maneira desonesta ou
fraudulenta, e com um padrão inaceitavelmente baixo de moral comercial”.
O veredito judicial recaiu sobre a
atuação de Isabel dos Santos enquanto empresária e acionista na Unitel,
na batalha jurídica que opõe a Vidatel, empresa através da qual Isabel
participa na Unitel, e a PT Ventures SGPS SA, por falta de pagamento de
dividendos da Unitel a esta última.
Neste âmbito, o juiz britânico confirmou
assim uma injunção de congelamento mundial de bens contra a Vidatel,
decidida em 8 de fevereiro de 2016.
Resultava das provas que um dos
pré-requisitos para o pagamento dos dividendos em moeda estrangeira é
que a Unitel deveria apresentar contas auditadas, juntamente com um
relatório de auditoria, ao banco pagador, o Banco Nacional Angolano
(BNA, central).
“Ora, a Unitel não apresenta contas
auditadas desde 2011. O motivo tem que ver com transações com partes
relacionadas, que fizeram com que os auditores da empresa, a
Pricewaterhouse Coopers, não assinassem as contas para 2012”, explica o
magistrado.
Isabel é ainda acusada de apresentar
“justificações falsas e ilegítimas ao tribunal”, quando se sabe que “os
acionistas angolanos, em violação da lei angolana, saquearam a Unitel
por conta própria, ou pelo menos em benefício de Isabel dos Santos”.
Este saque foi orquestrado por meio de
duas empresas detidas e controladas por Isabel dos Santos,
designadamente a Unitel International Holdings e a Tokeyna, através do
mecanismo das transações com partes relacionadas, “que claramente não
trazia benefício para Unitel”.
“O efeito líquido dessas transações é a
venda por parte da Unitel de grandes porções de seus ativos de caixa,
sob pretexto de serem transações legítimas, quando não foram. E essa
perda de ativos teve um efeito substancial sobre os fundos excedentes
disponíveis para os acionistas”, descreve o magistrado judicial
britânico.
De acordo com a mesma fonte, o que esta
decisão diz é que Isabel dos Santos “descapitalizou a Unitel para seu
proveito pessoal, através da criação de mecanismos de faturação falsa
entre a Unitel e empresas que criava para seu controlo pessoal, não
pagando aos sócios”.
O.O


